15 dezembro 2013

Devaneio

Uma tarde de clima indeciso, pessoas perdidas entre seus pensamentos, as músicas ecoando nos fones de ouvido, as paisagens que passavam diante da janela daquele trem. Então abri os olhos, e você estava ali, na minha frente. 
Cumprimentamo-nos com o habitual beijinho no rosto, e um sorriso um tanto sem graça. Você comentou algo sobre o meu novo corte de cabelo, e eu elogiei mentalmente a camisa que você estava usando. Aquela camisa. 
Dois minutos.
Você me perguntou como eu estava, uma tentativa de começar uma conversa com quem não se vê a tanto tempo. Ou pouco tempo, mas que pareceu uma eternidade.
Estou bem, eu disse, mas as palavras ficaram apenas na minha mente. Evitei os seus olhos, e acabei me perdendo na paisagem lá fora. Ou me perdi dentro de mim mesma.
Ouvi meu nome. Oi?
Você insistiu em perguntar se eu estava bem, e com o sorriso mais doce que poderia expremir, lhe respondi: Sim, está tudo bem! Ah, tenho que ir, até mais!
A porta abriu. Minha estação. 
Uma mão segurando meu braço.
Não está tudo bem.
Eu... tenho que ir. Não posso continuar.
E você saltou pra fora do trem, evitei os seus olhos. Você parou na minha frente.
Perto demais.
O próximo trem pode demorar, melhor voltar pra esse trem antes que ele vá embora.
Então ele começou a se mover e partiu.
Você continuava ali. Meus olhos continuavam no chão.
Um dedo indicador levantou meu rosto. Meus olhos nos seus. Lágrimas.
Um abraço protetor e cuidadoso. Um abraço real.
Não está tudo bem, mas agora Você está aqui.
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Ouvi meu nome. Oi? Então abri os olhos, e você estava ali, na minha frente. 
Você insistiu em perguntar se eu estava bem, e com o sorriso mais doce que poderia expremir, lhe respondi: Sim, está tudo bem! Ah, tenho que ir, até mais!
A porta abriu. Minha estação. 
O trem partiu.