E eu sei por que. Eu me afastei de mim.
24 maio 2012
03 maio 2012
Névoa
- Parte um -
Sentados no chão de costas, apoiados um no outro, sentia o seu calor através das roupas grossas de inverno. Eu falava sobre meus pensamentos, sobre o que eu sentia e sobre como a nossa amizade tinha tudo pra chegar a um nível de extrema cumplicidade, e dizia que ele era a pessoa certa, o amigo ideal, "aquele pra ficar em silêncio". Eu realmente sentia isso.
Me senti tonta, confusa e um pouco tímida ao confessar que apesar de todo esse anseio por uma amizade verdadeiramente leal, eu sentia vontade de me aproximar mais, apenas uma vez, e sentir o calor dos seus lábios. Era errado, eu sei, mas aquilo me consumia, eu tinha ao menos que falar e ele tinha que ouvir. Ouvi seu suspiro e em seguida as palavras que já esperava ouvir. Aquilo não era certo.
Levantei-me e, com a ansiedade de costume, me pus a andar de um lado pra outro, tentando esmaecer no horizonte aqueles pensamentos. Encostei numa coluna, e fixei os olhos em luzes distantes, embaçadas pela névoa. Ele parou na minha frente e pegou minha mão. Estremeci, desviei os olhos pros meus pés. Ele colocou minha mão sobre seu peito, seu coração batia rápido, e ele dizia q batia por mim, e que batia da mesma forma toda vez que me via. Minhas pernas estavam ficando sem força.
Recomecei a andar de um lado a outro, e rir como boba. Não sabia mais o que fazer, minha cabeça e estômago giravam. Ele me disse que nossa amizade não morreria ali, e me deu um abraço com tanta ternura, como nunca tinha me dado. Aquilo me tirava o ar e as forças, mas me mantive firme. Eu precisava ser firme naquele momento. [...]
::: Minha mais nova aventura: escrever! :::
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