Uma tarde de clima indeciso, pessoas perdidas entre seus pensamentos, as músicas ecoando nos fones de ouvido, as paisagens que passavam diante da janela daquele trem. Então abri os olhos, e você estava ali, na minha frente.
Cumprimentamo-nos com o habitual beijinho no rosto, e um sorriso um tanto sem graça. Você comentou algo sobre o meu novo corte de cabelo, e eu elogiei mentalmente a camisa que você estava usando. Aquela camisa.
Dois minutos.
Você me perguntou como eu estava, uma tentativa de começar uma conversa com quem não se vê a tanto tempo. Ou pouco tempo, mas que pareceu uma eternidade.
Estou bem, eu disse, mas as palavras ficaram apenas na minha mente. Evitei os seus olhos, e acabei me perdendo na paisagem lá fora. Ou me perdi dentro de mim mesma.
Ouvi meu nome. Oi?
Você insistiu em perguntar se eu estava bem, e com o sorriso mais doce que poderia expremir, lhe respondi: Sim, está tudo bem! Ah, tenho que ir, até mais!
A porta abriu. Minha estação.
Uma mão segurando meu braço.
Não está tudo bem.
Eu... tenho que ir. Não posso continuar.
E você saltou pra fora do trem, evitei os seus olhos. Você parou na minha frente.
Perto demais.
O próximo trem pode demorar, melhor voltar pra esse trem antes que ele vá embora.
Então ele começou a se mover e partiu.
Você continuava ali. Meus olhos continuavam no chão.
Um dedo indicador levantou meu rosto. Meus olhos nos seus. Lágrimas.
Um abraço protetor e cuidadoso. Um abraço real.
Não está tudo bem, mas agora Você está aqui.
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Ouvi meu nome. Oi? Então abri os olhos, e você estava ali, na minha frente.
Você insistiu em perguntar se eu estava bem, e com o sorriso mais doce que poderia expremir, lhe respondi: Sim, está tudo bem! Ah, tenho que ir, até mais!
A porta abriu. Minha estação.
O trem partiu.







